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Gestão Financeira

Simples Nacional por competência: como adaptar processos e provisões

21 · 08 · 20269 min de leituraRevisado pela equipe técnica Consultare

A Receita Federal regulamentou a apuração baseada no faturamento da operação e extinguiu a opção pelo regime de caixa na apuração mensal do Simples Nacional, revogando dispositivos da Resolução CGSN nº 140/2018. Na prática, a referência para reconhecimento da receita deixa de ser o recebimento (caixa) e passa a ser o fato gerador ligado à operação (competência).

Para sócios-administradores e gerentes financeiros, a alteração implica readequações operacionais imediatas: relatórios, controles e previsões passam a precisar de dados por competência para garantir conformidade e evitar diferenças na apuração mensal. Este guia complementa a análise de impacto no fluxo de caixa com o roteiro prático de processos, sistemas e provisões.

Impactos práticos no dia a dia financeiro

Reconhecimento de receita e apuração mensal

  • Faturas emitidas passam a influenciar imediatamente a base de cálculo do imposto, mesmo que o recebimento ocorra em data posterior.
  • É necessário registrar receitas por competência no sistema contábil/ERP e garantir que os lançamentos estejam prontos antes do fechamento mensal.

Fluxo de caixa versus apuração fiscal

  • A apuração por competência cria diferença temporária entre imposto devido e caixa disponível, elevando a importância do planejamento do capital de giro.
  • Sem medidas corretivas, empresas que decidiam com base no caixa podem precisar antecipar recursos para o recolhimento de tributos.

Controles e conciliações novos

  • Contas a receber e a faturar exigem conciliação frequente com a contabilidade para evitar divergências na base de cálculo.
  • Provisões mensais para tributos se tornam rotina, com classificação clara entre receitas reconhecidas e receitas recebidas.

Checklist prático para adaptar processos

  1. Revisar políticas de reconhecimento de receita. Defina critérios internos claros (data de emissão, entrega do bem ou serviço, conclusão de contrato).
  2. Atualizar o plano de contas e os lançamentos. Crie contas específicas de provisão de tributos e de diferenças temporárias.
  3. Ajustar sistemas e integrações. Configure o ERP para gerar registros por competência ao emitir notas fiscais e sincronize comercial, faturamento e conciliação bancária.
  4. Implementar controles de contas a receber. Mapeie recebíveis por vencimento e por competência para prever necessidades de caixa.
  5. Calcular provisões mensais de impostos. Estabeleça rotina de cálculo e registro antes de cada fechamento.
  6. Simular cenários de fluxo de caixa. Identifique meses com potencial de déficit pela diferença entre imposto apurado e caixa disponível.
  7. Treinar as equipes financeira e comercial. Alinhe emissão de nota, conciliação e classificação contábil.
  8. Revisar contratos e prazos de pagamento. Negocie prazos com clientes e fornecedores para amenizar o impacto no capital de giro.

Ajustes contábeis e demonstrativos essenciais

  • Plano de contas com destaque para provisões e ajustes por competência.
  • Relatórios gerenciais mensais que cruzem receitas por competência, recebimentos efetivos e provisões fiscais.
  • DRE gerencial acompanhando as diferenças entre resultado por competência e fluxo de caixa.

Esses relatórios são a base da contabilidade consultiva: em vez de olhar apenas a guia do mês, o gestor passa a enxergar o efeito da apuração sobre margem e capital de giro.

Riscos comuns e como mitigá-los

  • Falta de provisão fiscal: implemente rotina de provisão antes do fechamento.
  • Divergência entre faturamento e contabilidade: faça conciliações semanais entre os dois registros.
  • Surpresa de caixa em meses críticos: mantenha linhas de crédito rotativas contratadas ou negocie parcelamentos com fornecedores.

Cronograma sugerido para a transição

  • Semanas 1–2: diagnóstico de processos e ajustes necessários no plano de contas.
  • Semanas 3–4: configuração do ERP e testes de emissão e registro por competência.
  • Mês 2: primeira apuração piloto com provisões e conciliações reforçadas.
  • Mês 3: revisão dos processos com base no piloto e treinamento final da equipe.

As ações devem ser adaptadas ao porte e à complexidade da empresa — atendemos comércio e serviços de todos os portes e regimes tributários, com um plano prático e escalável de execução. Empresas que também avaliam a apuração de IBS e CBS pelo regime regular devem tratar as duas frentes no mesmo cronograma.

Conclusão

A extinção da opção pelo regime de caixa muda a forma como receita e tributos são reconhecidos e exige adaptação rápida dos controles financeiros. A recomendação central é antecipar a reestruturação de processos, adotando provisões mensais e relatórios por competência para evitar desalinhamento entre imposto devido e caixa disponível.

Fonte: Receita Federal — Regime de caixa deixa de ser utilizado na apuração do Simples Nacional.

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