Reforma Tributária

Reforma Tributária: os primeiros 90 dias para começar a se preparar

03 · 07 · 20265 min de leituraRevisado pela equipe técnica Consultare

A pergunta mais comum que ouvimos sobre a Reforma Tributária não é técnica. É de agenda: "por onde eu começo?" A transição vai até 2033, o noticiário publica uma novidade por semana, e a sensação de que "ainda dá tempo" convive com a suspeita de que talvez não dê. Este artigo organiza os primeiros 90 dias de preparação de uma média empresa — o suficiente para sair da arquibancada sem parar a operação.

Antes do plano, o contexto em uma frase: entre 2026 e 2033, PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI dão lugar à CBS, ao IBS e ao Imposto Seletivo, num sistema de crédito amplo e imposto "por fora" — o cronograma completo está na nossa página da Reforma Tributária. O que importa aqui é a consequência prática: preço, margem, regime e contratos serão recalculados. A preparação que vale dinheiro é exatamente essa conta — e ela leva meses, não dias.

Dias 1–30: enxergar a própria empresa

Ninguém simula impacto sem saber onde está pisando. O primeiro mês é de fotografia interna:

  • Mapeie sua matriz tributária atual. Quanto sua empresa efetivamente paga de tributos sobre o consumo hoje, por linha de produto ou serviço? Não a alíquota nominal — a carga real, com os créditos que você já aproveita (ou deixa de aproveitar).
  • Liste seus fluxos de compra e venda. De quem você compra (regime dos fornecedores), para quem você vende (pessoa física? empresa do Lucro Real? governo?). No novo sistema, o crédito que sua nota gera para o cliente vira argumento comercial — ou problema comercial.
  • Levante os contratos longos. Todo contrato que atravessa a transição (aluguel, fornecimento, prestação recorrente) merece uma marcação: tem cláusula de reequilíbrio tributário? Quem absorve a mudança de carga?

Dias 31–60: simular os cenários que importam

Com a fotografia pronta, o segundo mês é de conta:

  • Simule a carga no novo sistema. Com as regras já publicadas, é possível estimar o efeito da CBS e do IBS sobre a sua operação em cenários — conservador, provável, otimista. O número exato dependerá de definições ainda em curso; a direção do impacto, não.
  • Refaça a conta do regime. A escolha entre Simples, Presumido e Real muda de lógica quando o crédito vira protagonista — especialmente para quem vende para outras empresas. Empresas B2B do Simples são o caso mais urgente: seus clientes passarão a comparar o crédito da sua nota com o da concorrência.
  • Traduza para preço. É aqui que a preparação vira dinheiro. Se a sua carga efetiva muda, o seu preço precisa mudar — e o do seu fornecedor também. Quem faz essa conta antes negocia; quem faz depois absorve.

Dias 61–90: decidir e endereçar

  • Priorize três decisões. Da simulação vão sair muitas frentes; escolha as três de maior impacto financeiro (tipicamente: regime, política de preço e um ou dois contratos críticos) e dê dono e prazo para cada uma.
  • Verifique sistemas e notas. Seu ERP e seu emissor estão preparados para operar o sistema novo em paralelo com o antigo durante a transição? A resposta do fornecedor de software merece estar por escrito.
  • Estabeleça um ritual de acompanhamento. A regulamentação seguirá evoluindo até o fim da transição. Uma revisão trimestral do tema — interna ou com seu contador — evita tanto a paralisia quanto o susto.

O erro mais caro: esperar a "versão final"

A tentação de aguardar todas as definições antes de agir é compreensível — e é o erro mais caro disponível. As decisões dos primeiros 90 dias não dependem de alíquota final: dependem de conhecer a própria empresa, e isso já é totalmente possível. Quem espera a versão final vai fazer em semanas, sob pressão, o que poderia ter feito em meses, com calma — e vai negociar preço e contratos por último, quando todo mundo já se posicionou.

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